O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) encerrou, nesta sexta-feira (28), a programação alusiva ao mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher com o encontro “Por que precisamos de um Agosto Lilás?”, realizado no Auditório do Centro de Oncologia e Hematologia. A atividade reuniu profissionais para discutir a trajetória dos direitos das mulheres, os mecanismos de prevenção e proteção e o papel dos serviços públicos na identificação e no atendimento às vítimas.
A primeira mesa contou com a participação das defensoras públicas Bibiana Veríssimo Bernardes e Cláudia Barros. As exposições trataram dos crimes relacionados à violência doméstica, das medidas protetivas de urgência, da dinâmica dos ciclos de agressão, das políticas públicas existentes e da atuação da Defensoria Pública na orientação e no apoio às mulheres.
Bibiana destacou que a violência doméstica frequentemente se desenvolve de forma gradual e que perceber os primeiros sinais pode fazer a diferença para interromper o processo. “Esses casos raramente começam com a agressão física. Muitas vezes, existe um ciclo longo e progressive e, por isso, é tão importante reconhecer os sinais e receber essa mulher sem julgamentos, especialmente, nos serviços que têm contato frequente com ela”, afirmou.
Na sequência, Cláudia apresentou os procedimentos para solicitação e acompanhamento das medidas protetivas. Para ela, é importante que a mulher conheça os caminhos que estão a sua disposição. “Garantir o acesso à Justiça não é apenas oferecer atendimento jurídico. É acolher, orientar, proteger e fortalecer mulheres vulnerabilizadas por contextos de violência e desigualdade, atuando para romper esses ciclos, ampliar direitos e construir autonomia”,explicou. Segundo ela, também é importante que o descumprimento das medidas protetivas seja comunicado e registrado.
Na segunda mesa, a assistente social Jessica Silva e a psicóloga Bhárbara Senne abordaram o atendimento às vítimas antes, durante e após a denúncia, destacando o papel estratégico dos serviços de saúde. A criação de espaços de educação e debate sobre gênero, relacionamentos saudáveis, consentimento, divisão do trabalho doméstico, ciúme, controle, masculinidades e diferentes formas de abuso, incluindo ações voltadas também a homens e adolescentes, foram medidas discutidas.
O acolhimento humanizado também foi apontado como parte fundamental desse atendimento. Mais do que identificar a violência, o cuidado passa por compreender a dor e o contexto da vítima, oferecer escuta qualificada e orientações sobre os caminhos disponíveis, respeitando suas decisões e evitando julgamentos ou condutas que possam provocar exposição e revitimização. Nesse processo, os profissionais de saúde podem representar um dos primeiros pontos de confiança e apoio para a mulher.
Outro ponto ressaltado foi a necessidade de capacitação contínua das equipes de saúde, preparando os profissionais para perceber indícios que nem sempre aparecem como uma denúncia direta e realizar os encaminhamentos adequados.
Créditos: Gabriel Amaral (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).