“Quer conversar?”, “Como posso ajudar?”, “Vamos buscar ajuda?”. Essas são algumas das perguntas indispensáveis na prevenção ao suicídio, segundo especialistas que estudam o tema. O acolhimento foi um dos focos do ciclo de palestras “Setembro Amarelo: unindo saberes para salvar vidas”, realizado nesta quarta-feira (2), no auditório do Centro de Oncologia e Hematologia do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre.
A atividade integra um conjunto de eventos organizados pela instituição durante o mês em uma campanha de prevenção ao suicídio e discussões sobre saúde mental. O objetivo é mudar o entendimento de que o assunto não deve ser debatido, e sim criar um ambiente aberto para a busca de ajuda especializada.
“Abordar o assunto quer dizer que a pessoa terá ideias suicidas? Não. Mas o silêncio, sim, pode ser letal. Falar sobre suicídio não é falar sobre morte, mas sobre acolhimento e sofrimento”, disse Vanessa Oreda, enfermeira do GHC, no início do evento.
Com dados do Ministério da Saúde (MS), a profissional contextualizou que o país registra 42 casos de suicídio por dia e que a prática é a segunda maior causa de morte entre crianças e adolescentes. Além disso, mais de 70% das notificações de tentativas de suicídio são de pacientes mulheres.
Depois, Lilian Hagel Day, médica hebiatra do GHC, abordou os sinais de alerta e o papel dos pais na prevenção ao suicídio e o cuidado com quadros de depressão entre os mais jovens.
“Nós, adultos, temos uma falsa ideia de que na adolescência tudo está ótimo, que nossos filhos são bonitos e saudáveis. Em muitos casos não é assim. Crianças e adolescentes sofrem bullying na escola, têm mudança de comportamento, são impulsivos. Vemos pequenas coisas, não uma calamidade, mas que, aos poucos, podem se tornar uma situação difícil. Também é um grupo muito exposto nas redes sociais: o online pode ser mais perigoso do que o offline”, explicou.
Julia Borges Antunes, enfermeira de Emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), descreveu o trabalho das equipes durante o atendimento a pacientes após tentativas de suicídio e em momentos de crise. Ela também ressaltou a importância de ouvir e não julgar no cuidado a quem precisa de ajuda.
Última palestrante do evento, Eliana Bender, psicóloga do ambulatório do HNSC, detalhou a interação com as famílias de pacientes e a necessidade do apoio psicológico. O evento contou ainda com a participação da enfermeira Elisabete Storck e da técnica de enfermagem Joyce Lemos, ambas do GHC, que defenderam a relevância do diálogo na prevenção.
Créditos: Vinícius Coimbra (texto). João Gabriel Lopes (fotos).