O projeto do Novo Complexo de Saúde Inteligente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) avançou para uma nova etapa nesta terça-feira (8), com o início dos trabalhos de estruturação conduzidos em parceria com o Ministério da Saúde, a Casa Civil da Presidência da República e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com R$ 1,9 bilhão em investimentos previstos, a iniciativa vai reunir, modernizar e ampliar os serviços dos hospitais Fêmina (HF), Criança Conceição (HCC) e Cristo Redentor (HCR) em uma nova estrutura conectada ao Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC).
A atividade reuniu o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, representantes do BNDES, a diretoria do GHC, o secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, e as equipes técnicas envolvidas. Do valor previsto, aproximadamente R$ 1,5 bilhão será destinado à construção e à implantação do Complexo, enquanto o restante será direcionado à aquisição de equipamentos.
Para o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, a construção do Novo Complexo parte da necessidade de preparar o SUS para transformações que já impactam a assistência à saúde. “Vivemos mudanças econômicas, climáticas, demográficas e sociais que trazem novos desafios para os sistemas de saúde. No Rio Grande do Sul, o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população são exemplos muito concretos disso. O SUS precisa estar preparado para responder a essa realidade, e isso exige capacidade de inovar, de ser disruptivo e de repensar estruturas e formas de cuidado”, afirmou.
Com cerca de 750 leitos, o Novo Complexo deverá promover não apenas a reunião de diferentes unidades, mas também a ampliação da oferta assistencial do GHC. Em relação ao cenário atual, a projeção é de acréscimo de mais de 100 leitos operacionais e mais de 100 auxiliares, fortalecendo a capacidade da instituição para atender demandas de diferentes níveis de complexidade e aumentar o acesso da população aos serviços especializados.
O planejamento prevê 43 salas cirúrgicas, incluindo ambientes preparados para procedimentos robóticos, 70 leitos de UTI adulto e 70 de UTI pediátrica e neonatal, além de serviços de diagnóstico, atendimento ambulatorial e reabilitação. Também estão previstos banco de leite humano, espaços para reprodução assistida, emergências conectadas em rede e heliponto para situações críticas.
Segundo Barichello, a proposta é desenvolver uma estrutura capaz de acompanhar a evolução da assistência e da tecnologia no longo prazo. “Não estamos pensando apenas nas necessidades que temos hoje. Estamos projetando um complexo para o futuro, preparado para incorporar novas tecnologias, expandir a capacidade de atendimento e qualificar cada vez mais o cuidado. Queremos construir uma referência para o SUS nas próximas décadas, reunindo inovação, inteligência, eficiência e, acima de tudo, uma assistência pública de excelência”, destacou.
O empreendimento deverá permitir ainda a expansão de procedimentos de alta complexidade, incluindo cirurgias fetais e transplantes, entre outros serviços especializados. O modelo prevê também a utilização de dados em tempo real, inteligência artificial e medicina de precisão.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a dimensão tecnológica da infraestrutura e seu potencial para se tornar referência. “O que está sendo construído aqui não será referência apenas para o SUS no Brasil. Isso já está sendo muito bem visto internacionalmente. Em todos os lugares do mundo aonde vamos, levamos essa iniciativa que está sendo implementada pelo GHC. Vamos aproveitar a expertise e a qualidade que o Grupo já oferece e aprimorá-las com equipamentos de alta capacidade”, afirmou.
Para o secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, a modernização da infraestrutura deve ser acompanhada por uma maior conexão de toda a rede. “Saúde não tem preço, mas tem custo, e precisamos inovar, com hospitais inteligentes, prontuários digitais e ações que vão ao encontro das necessidades atuais do sistema de saúde. Modelos como esse nos garantem uma rede conectada, desde o momento em que o paciente entra na ambulância até a chegada ao leito de UTI”, afirmou.
Estruturação do projeto
A etapa iniciada nesta terça-feira é resultado de um processo desenvolvido pelo GHC ao longo dos últimos dois anos, envolvendo as diferentes diretorias e gerências da instituição na definição das bases e diretrizes do Novo Complexo.
“Foram dois anos estabelecendo prazos, fundamentos e discutindo um conjunto amplo de áreas, com a participação de todas as gerências e diretorias”, explicou o gerente de Projetos do GHC, Jorge Branco.
A partir de agora, o BNDES conduzirá a estruturação com o apoio de um consórcio de consultorias especializadas. O trabalho abrange estudos de engenharia e infraestrutura, planejamento assistencial e operacional, e análises econômico-financeiras e jurídicas necessárias à execução do projeto.
Antes da atividade com as autoridades, representantes da Gerência de Projetos do GHC, do BNDES, do Ministério da Saúde, da Casa Civil e do Consórcio POMAR participaram de uma oficina técnica. No encontro, foram apresentados o plano de trabalho, as etapas previstas e a organização das diferentes frentes responsáveis pelo desenvolvimento da iniciativa.
O superintendente do BNDES, Ian Guerriero, destacou o papel do Banco na transformação das diretrizes estabelecidas pelo GHC em um modelo viável para implantação. “Temos a experiência necessária para apoiar e desenvolver iniciativas complexas e disruptivas. Nossa missão agora é alinhar esses objetivos e levar adiante a visão que o GHC tem de um hospital do futuro, fazendo com que ela se torne realidade”, destacou.
Parceria Público-Privada com assistência 100% SUS
A implantação do Novo Complexo está sendo estruturada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), na modalidade de concessão administrativa. O modelo prevê a participação do setor privado em etapas relacionadas à infraestrutura, preservando sob responsabilidade pública a prestação da assistência à saúde.
“A concessão administrativa será para construção, equipagem, manutenção e operação de serviços não assistenciais. A assistência seguirá 100% pública”, reforçou Branco.
Para Padilha, o modelo permite conciliar novas formas de viabilização do empreendimento com a preservação do caráter público do GHC. “É um complexo hospitalar que contará com um grande investimento e com o que há de mais moderno em saúde, sem abrir mão da gestão pública, porque o GHC é 100% SUS, mas utilizando mecanismos que garantam maior velocidade de construção e manutenção”, afirmou.
Integração com o HNSC
Além de reunir os serviços dos hospitais Fêmina, Criança Conceição e Cristo Redentor e do Centro Obstétrico do HNSC, o projeto prevê a conexão física com o Conceição. Passarelas específicas para trabalhadores e pacientes deverão facilitar a circulação entre as edificações e os diferentes pontos de atendimento, favorecendo a organização dos fluxos internos e a articulação entre as equipes assistenciais.
A proposta é aproximar áreas hoje distribuídas entre as unidades, qualificando os fluxos entre especialidades, serviços de diagnóstico, centros cirúrgicos, unidades de terapia intensiva e demais setores da assistência.
Créditos: Gabriel Amaral (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).