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06.10.2026

Hospital Fêmina abre campanha do Outubro Rosa com debate sobre qualidade de vida da mulher com câncer de mama

Cuidados contínuos, saúde sexual e direitos sociais pautaram a iniciativa “Renascer em Rosa”, do GHC, dedicada à jornada do pós-tratamento
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Diretora Quelen Tanize Alves da Silva destacou a dupla perspectiva de ser usuária e profissional da casa.
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Gestores ressaltaram a dimensão social e a responsabilidade da instituição pública na atenção à saúde feminina.
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Atividade propôs um olhar abrangente sobre a saúde da mulher.

Com foco nos desafios e nos recomeços após o diagnóstico de câncer de mama, o Hospital Fêmina realizou nesta terça-feira, 6 de outubro, em Porto Alegre, uma série de palestras com a temática “Renascer em Rosa”, abrindo as ações de conscientização que integram a campanha Outubro Rosa do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) em 2026.

A iniciativa propôs um olhar abrangente sobre a saúde da mulher, ultrapassando os aspectos estritamente clínicos para abordar o bem-estar físico, a sexualidade, o suporte emocional e a garantia de direitos no pós-tratamento.

Ao longo de toda a manhã, a programação apontou a importância do cuidado integral no processo de reabilitação. O evento teve ainda discussões a partir da visão médica sobre as adaptações e o acompanhamento contínuo necessários para o corpo após as terapias, além de abordar temas como a saúde sexual e a autoestima feminina nessa nova etapa.

A mesa de abertura contou com a presença da diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva, do diretor Administrativo e Financeiro do GHC, João Constantino Pavani Motta, da gerente substituta de Administração do Hospital Fêmina, Renata Zardin, e da gerente de Internação do Fêmina, Carolina de Castro Pereira.

Compromisso com o cuidado

Em suas falas, os gestores ressaltaram a dimensão social e a responsabilidade da instituição pública na atenção à saúde feminina. Ao compartilhar sua própria vivência no SUS e no Grupo Hospitalar Conceição, a diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva, destacou a dupla perspectiva de ser usuária e profissional da casa.

“Fui diagnosticada com câncer e sou usuária do Sistema Único de Saúde. Tive muita sorte porque eu fui regulada no mesmo mês para dentro do Grupo Hospitalar Conceição. E para mim é uma imensa honra ser uma gestora trabalhadora do Grupo Hospitalar Conceição desde 2009 e ser cuidada pelos meus colegas. Isso é importante porque, nessa trajetória de cuidado, eu vi a potencialidade, eu vi as práticas exitosas que a gente tem, mas eu também vi imensos desafios colocados”, relatou.

A vida depois do câncer de mama

Os avanços nos métodos de diagnóstico precoce e nos tratamentos refletem-se diretamente no prognóstico das pacientes. De modo geral, de acordo com o setor de mastologia do Hospital Fêmina, a taxa de cura do câncer de mama alcança 85%. Quando a doença é diagnosticada em sua fase inicial, esse índice chega a 95%, resultando em impactos significativamente menores na rotina e na qualidade de vida.

Ressaltando que o término do tratamento exige adaptações progressivas para lidar com as sequelas e transformações físicas, o chefe do setor de Mastologia do Fêmina, Andrei Reginatto, falou da importância de um suporte multidisciplinar para o retorno às atividades cotidianas.

“É necessário retomar a rotina um passo de cada vez, celebrar que tratou, que está bem e que a vida vai seguir normal. O tratamento tem efeitos no corpo, como cicatrizes relacionadas à cirurgia. A quimioterapia induz a uma menopausa precoce. Cada corpo reage de uma forma. Por isso, é necessário ter uma equipe multidisciplinar junto. Endocrinologistas, psicólogos e nutricionistas são fundamentais nesse processo."

Além da cura: a sexualidade como parte do cuidado

O impacto das terapias na vida íntima e afetiva das pacientes foi o tema central da palestra ministrada pela ginecologista e obstetra do GHC Fernanda Grosbelli. Durante a apresentação, a especialista destacou que as alterações na sexualidade não são exceções, mas uma realidade frequente na rotina das mulheres que passam pelo tratamento contra o câncer de mama.

Segundo dados apresentados pela médica, quase 90% das pacientes relatam mudanças na vida sexual após o diagnóstico e o início das terapias, e 85% afirmam sentir sofrimento emocional em decorrência dessas transformações. Os números evidenciam como os efeitos colaterais físicos e hormonais reverberam diretamente na saúde emocional, no relacionamento interpessoal e na percepção do próprio corpo.

Ela explicou que esses desdobramentos decorrem diretamente das intervenções terapêuticas necessárias para o combate da doença, ressaltando a urgência de incluir o tema na rotina de acompanhamento dos serviços de saúde.

"O próprio tratamento altera vários fatores relacionados ao prazer na mulher. A cirurgia na mama pode interferir na forma como a mulher se relaciona com o próprio corpo, a quimioterapia causa muito cansaço e até mesmo uma menopausa precoce, o que acentua sintomas. Por muitas vezes, pensou-se apenas sobre o tratamento e se acabou deixando de lado esses fatores, que incomodam muito as mulheres", ressaltou a médica, defendendo a estruturação de abordagens multidisciplinares para tratar das queixas sexuais durante as consultas de seguimento.

Cuidados psicológicos após o tratamento e direitos

As palestras que fecharam a programação deram destaque para dois aspectos importantes na vida de quem passa pelo tratamento de câncer: saúde mental e direitos.

O fim do protocolo terapêutico convencional — composto por cirurgia e radioterapia ou quimioterapia — marca o fim de uma etapa, mas não o término do cuidado. Os psicólogos do Hospital Fêmina Lucas Lazzarotto Vasconcelos Costa e Flávia Scheffer Azevedo abordaram como tema central a pergunta "Quando o tratamento termina?".

Mesmo após a remissão da doença, a mulher necessita de monitoramento médico periódico, suporte emocional contínuo e orientação para o manejo de efeitos colaterais tardios. Sobre as dúvidas que permeiam a rotina de quem passou por um tratamento delicado, os psicólogos ressaltaram que o papel da saúde é dar todas as ferramentas para que a pessoa descubra novos caminhos para lidar com a vida.

Por fim, a assistente social do Hospital Fêmina Mariana Tesch abordou a garantia de direitos e a navegação pela burocracia das instituições públicas, além de enfatizar a importância do acesso à informação para além do atendimento médico.

No encerramento, pacientes que já venceram o câncer de mama e voluntárias celebraram suas histórias de superação e reforçaram a importância de garantir que as mulheres recuperem a plena autonomia, a autoestima e a qualidade de vida em todas as suas dimensões: social, física e afetiva.

Créditos: Gabriel Dias (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).