Grupo Hospitalar Conceição ancora
logo
instagram facebook twitter youtube uptodate linkedin
06.11.2026 SAÚDE AUDITIVA

GHC realiza simpósio para debater avanços no tratamento e na reabilitação auditiva

Segunda edição do “Audição em Pauta” apresentou os resultados do programa de implante coclear e promoveu debates sobre atendimento e reabilitação auditiva pelo SUS
files/img.ptg.2.1.01.41801.png
Painel com equipe interprofissional.
files/img.ptg.2.1.02.41801.png
Gestores destacaram importância da tecnologia, da qualificação profissional e da ampliação do acesso à assistência especializada.
files/img.ptg.2.1.03.41801.png
Parte das profissionais palestrantes.
files/img.ptg.2.1.04.41801.png
Público tirou dúvidas.

O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) realizou, nesta sexta-feira, 6 de novembro, a segunda edição do Simpósio Audição em Pauta, no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, no Centro Administrativo da instituição. O encontro reuniu gestores, profissionais de saúde e especialistas para discutir os avanços na assistência em saúde auditiva e seus impactos na qualidade de vida dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Nesta edição, o tema central foi o implante coclear, dispositivo eletrônico de alta tecnologia implantado cirurgicamente que estimula diretamente o nervo auditivo e possibilita a percepção dos sons por pessoas com surdez severa ou profunda. O programa teve início no GHC em fevereiro de 2025, ampliando a assistência de alta complexidade oferecida pelo Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC).

Desde o começo das atividades, o serviço realizou 50 avaliações de pacientes e 19 cirurgias de implante coclear. Os números representam um avanço na oferta de tratamentos especializados realizados integralmente pelo SUS e foram apresentados durante o simpósio, que também promoveu discussões sobre os desafios da seleção, do acompanhamento e da reabilitação dos pacientes.

Na abertura, as lideranças da instituição abordaram a importância da tecnologia, da qualificação profissional e da ampliação do acesso à assistência especializada. O diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, ressaltou a integração entre tecnologia, ensino, pesquisa e formação profissional como parte do processo de modernização da assistência pública. “Desde o ano passado, iniciamos os trabalhos com o implante coclear, o que é um grande avanço. E isso é cuidar das pessoas utilizando o ensino, a pesquisa, a formação e a educação como ferramentas para melhorar o cuidado. O GHC, mesmo depois de 70 anos de existência, se reposiciona e se atualiza naquilo que há de mais moderno na área da saúde no mundo”.

O gerente de Internação do HNSC, Gabriel Hey, destacou a relevância de iniciativas de qualificação profissional para identificar pacientes, aprimorar os encaminhamentos e ampliar o acesso às terapias disponíveis. “Eventos como esse, que visam qualificar as equipes, conscientizá-las sobre a existência do problema e, eventualmente, pensar em maneiras de identificar melhor esses pacientes e indicar a terapia mais adequada, são essenciais para que a gente possa compreender os principais desafios, enfrentar os gargalos e oferecer a essas pessoas a possibilidade de ter uma vida plena, como todo mundo tem direito”.

Já a diretora de Atenção à Saúde do GHC, Rosana Reis Nothen, chamou a atenção para questões éticas e para a necessidade de respeitar a diversidade dos pacientes. “Sabemos também que existem questões éticas envolvidas, especialmente no que diz respeito à inclusão nesses casos. A surdez já vem sendo encarada e classificada como uma questão de diversidade. Esse é um desafio importante quando a gente propõe aos nossos pacientes um tratamento sofisticado, que exige um processo de adaptação bastante complexo”.

Evolução do serviço e perfil dos pacientes

Credenciado pelo Ministério da Saúde como serviço de alta complexidade em saúde auditiva desde 2004, o Hospital Nossa Senhora da Conceição obteve, em 2024, o credenciamento para implementar o programa de próteses implantáveis. A primeira cirurgia de implante coclear foi realizada em fevereiro de 2025, seguida pela primeira ativação do dispositivo em março do mesmo ano.

Entre os pacientes operados, sete são homens e 12 são mulheres. A média de idade dos pacientes que passam pelo serviço adulto é de 60 anos. Também foram feitos procedimentos em pacientes pediátricos. Não foram registradas complicações nas 19 cirurgias realizadas.


A fonoaudióloga Luciane Pauletti apresentou um balanço do primeiro ano de funcionamento do programa e destacou aspectos do atendimento e da reabilitação dos pacientes. “É importante poder olhar para essa pessoa e para a diversidade que ela tem. A nossa ideia é sempre direcionar esse olhar para o indivíduo que precisa da nossa ajuda e a quem temos condições de proporcionar uma qualidade de vida melhor pelo SUS”.

Debates técnicos e troca de experiências

A programação da manhã começou com a retrospectiva do primeiro ano de atividades do programa de implante coclear no HNSC, apresentada por Luciane. Na sequência, a otorrinolaringologista do HNSC Luciana Lima Martins Costa abordou o funcionamento e o histórico da tecnologia.

A otorrinolaringologista Letícia Schmidt Rosito, integrante do Programa de Atenção à Criança com Surdez do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), também discutiu os resultados dos tratamentos, além de destacar a parceria entre o HCPA e o GHC na construção de uma rede de apoio mais inclusiva para pessoas com deficiência auditiva.

As atividades matinais foram concluídas com uma mesa-redonda multidisciplinar formada por profissionais do Hospital Nossa Senhora da Conceição. O painel abordou os critérios de elegibilidade para o implante coclear e o papel da equipe interprofissional na seleção e no acompanhamento dos pacientes. Participaram a assistente social Leda Adachi, a psicóloga Bruna Nazareth, a médica Caroline Elias, além das fonoaudiólogas Luciane Pauletti, Diana Bartz e Vitória Mirle.

O simpósio também contou com um espaço dedicado aos relatos dos pacientes, que compartilharam experiências sobre os impactos do tratamento e da reabilitação auditiva na vida cotidiana.

À tarde, o simpósio prossegue com painéis sobre o mapeamento e a programação do processador de fala nos primeiros meses após a ativação do dispositivo, conduzidos pela fonoaudióloga Adriana Laybauer. Também estão previstas apresentações sobre estratégias de reabilitação auditiva para o desenvolvimento da linguagem em crianças e adultos, com contribuições das fonoaudiólogas Vitória Mirle e Diana Bartz.

Créditos: Gabriel Dias (Texto). João Gabriel Lopes (Fotos).