O Hospital Fêmina, em Porto Alegre, passará a utilizar lençóis de algodão orgânico produzidos pela rede de economia solidária Justa Trama. O anúncio foi feito na última sexta-feira, 13 de março, durante a entrega de um novo lote de enxovais ao Grupo Hospitalar Conceição (GHC), na sede da cooperativa no bairro Sarandi.
A ampliação da parceria prevê investimento de cerca de R$ 400 mil para implementação gradual nos mais de 160 leitos da unidade, referência no atendimento a mulheres e recém-nascidos. O lote entregue nesta semana será destinado à renovação dos enxovais das áreas de Oncologia e Pediatria, que já utilizam os lençóis orgânicos desde o início da parceria, em março de 2024.
“O Grupo Hospitalar Conceição tem compromisso permanente com a qualificação do cuidado oferecido aos usuários do SUS. A ampliação do uso de lençóis de algodão orgânico para o Hospital Fêmina reforça essa busca por qualidade, conforto e segurança para pacientes e equipes. Ao mesmo tempo, mostra que é possível conectar o sistema público de saúde com iniciativas produtivas sustentáveis e socialmente responsáveis”, registrou o diretor administrativo e financeiro, João Motta, na atividade.
Mais bem-estar ao paciente
De acordo com o gerente do Hospital Criança Conceição, Diego Kurtz, a adoção do material tem apresentado resultados positivos. “Observamos redução nas taxas de infecção hospitalar por um conjunto de medidas. Em análise microscópica, os lençóis orgânicos apresentam menor presença de bactérias em comparação aos tradicionais”, afirma.
Para a chefe da rouparia do GHC, Mara Dias, o uso dos lençóis também contribui para o conforto dos pacientes. “Nosso foco é o cuidado com o usuário. Proporcionar um leito com essa qualidade ajuda no bem-estar e temos observado inclusive redução de alergias”, destaca.
Economia solidária fortalece o SUS
A coordenadora da Justa Trama no Rio Grande do Sul, Nelsa Nespolo, ressalta o significado da iniciativa. “É muito simbólico que isso aconteça no mês da mulher: lençóis preparados por mulheres e que chegarão a mulheres e seus bebês no Hospital Fêmina. A economia solidária também fortalece o SUS”, afirma.
“Quando um hospital público passa a usar um produto que nasce na agricultura familiar, percorre cooperativas da economia solidária e chega ao leito hospitalar com qualidade e rastreabilidade, estamos mostrando que o SUS também pode ser um indutor de desenvolvimento sustentável. É um projeto que queremos ampliar e que pode inspirar outras instituições no país”, sublinhou Alex Borba, gerente de Gestão de Pessoas do GHC.
Rede: cultivo, fiação, tecelagem, confecção
A atividade reuniu costureiras, bordadeiras, moradores da comunidade e apoiadores da Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos (Univens), que completa 30 anos de atuação e integra a rede Justa Trama. A cooperativa foi fortemente atingida pela enchente de maio de 2024, que danificou equipamentos e parte da estrutura de produção. A retomada das atividades foi possível com a doação de novas máquinas, viabilizada pela Fundação Banco do Brasil e pela Unisol, com recursos do programa Reconstrução RS.
O encontro contou ainda com a presença de representantes dos cinco estados que integram a rede Justa Trama, que estão no Rio Grande do Sul para participar da assembleia nacional da cadeia produtiva do algodão orgânico, realizada nesta semana em Porto Alegre.
A Justa Trama reúne cerca de 600 trabalhadores em cinco estados brasileiros e conecta todas as etapas da produção têxtil — do cultivo agroecológico do algodão à fiação, tecelagem e confecção das peças. O algodão é produzido por agricultores familiares sem uso de agrotóxicos e transformado em tecidos e produtos finais por cooperativas da rede.
Durante o encontro, a Justa Trama também lançou uma nova linha de lençóis bordados à mão, inspirada na flor da paineira, que passa a ser comercializada ao público no site da rede (www.justatrama.com.br).
Créditos: Tatiane de Sousa (texto), Chico Lisboa (fotos)