O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) sediou, na última sexta-feira (10) e no sábado (11), o Encontro Regional de Educação Popular em Saúde – Região Sul. A atividade foi promovida pela Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (Aneps), em parceria com o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), com apoio da Fiocruz e de outras instituições.
O evento reuniu movimentos sociais, trabalhadores, gestores e educadores populares dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, em uma agenda voltada à construção coletiva da Política Nacional de Educação Popular em Saúde e à articulação de uma rede de educadores populares no país.
A programação teve início na sexta-feira à noite, com mesa de abertura e análise de conjuntura, realizada no auditório Jahyr Boeira, do Hospital Nossa Senhora da Conceição. O momento foi marcado pela leitura de uma carta de conjuntura, com reflexões sobre o cenário atual e os desafios para o fortalecimento das políticas públicas de saúde e da participação social no Brasil.
Durante a abertura, a diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva, destacou o contexto atual como um dos mais desafiadores para o país e a necessidade de reflexão coletiva. “Nunca vivemos uma conjuntura tão complexa como a de hoje. Olhar para esse cenário é fundamental para orientar o planejamento e pensar, de forma coletiva, os caminhos que precisamos seguir para fortalecer o SUS e as políticas públicas”, afirmou.
No sábado, as atividades seguiram na Escola GHC, com programação ao longo de todo o dia, incluindo mesas temáticas sobre o percurso, as realizações e as perspectivas da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS), além de debates sobre sua interface com a formação em saúde, as práticas de cuidado, os diálogos multiculturais e a participação social.
Na sequência, os participantes se organizaram em grupos de trabalho para discutir os eixos da política e elaborar propostas para o plano operativo nacional. No encerramento, foi apresentada a sistematização das contribuições.
Durante o evento, o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, destacou a importância da participação social como um dos princípios estruturantes do SUS. “O Sistema Único de Saúde tem como um de seus princípios a participação popular, reconhecida inclusive na Assembleia Mundial de Saúde. Isso torna o SUS exemplo para o mundo. Essa participação se constrói no cotidiano, desde os movimentos sociais até os conselhos de saúde, que apontam caminhos para que o SUS siga garantindo o direito à saúde de forma coletiva e democrática”, disse.
Ele ressaltou ainda o papel do encontro no fortalecimento do sistema. “Sediar um evento de educação popular em saúde demonstra a relevância e a força do SUS, mas também a necessidade de enfrentar desafios históricos, como o tempo de espera para acesso à atenção especializada, que o Ministério tem buscado reduzir com iniciativas como o programa Agora Tem Especialistas”, completou.
A coordenadora-geral de Educação Popular em Saúde do Ministério da Saúde, Renata Pekelman, reforçou o propósito estratégico da atividade. “O objetivo do evento é fazer o plano operativo da Política Nacional de Educação Popular em Saúde, além de construir uma rede de educadores populares no Brasil. Este é o primeiro de uma série de encontros que ocorrerão em diferentes regiões do país, reunindo movimentos populares, trabalhadores e gestores para essa construção coletiva”, explicou.
Segundo ela, o encontro também fortalece o diálogo entre diferentes saberes. “Estamos muito vinculados ao debate da participação social, que faz diferença na valorização dos saberes tradicionais. Esse diálogo entre os cuidados populares e os cuidados biomédicos é fundamental, especialmente nos territórios”, afirmou.
A programação também evidenciou o papel da comunicação no fortalecimento da saúde popular. Para Juliana Lima, coordenadora setorial de Comunicação na SGTES, a comunicação popular é parte central desse processo. “A comunicação está presente em tudo. Dentro da educação popular, ela assume um papel fundamental, especialmente ao ouvir quem está no território. Esse processo fortalece os sujeitos e ajuda a revigorar a saúde e a educação popular”, destacou.
Escola GHC e valorização da memória institucional
A programação contou ainda com a inauguração da galeria das lideranças que estiveram à frente da Escola GHC, marcando um momento de valorização da trajetória da instituição na formação de trabalhadores do SUS. A atividade foi conduzida pelo gerente de Ensino e Pesquisa do GHC, Alcindo Ferla.
Criada em 2009, a Escola GHC tem origem na Gerência de Ensino e Pesquisa, instituída em 2001, e se consolidou como um espaço estratégico para formação, qualificação profissional e desenvolvimento de práticas alinhadas às necessidades do sistema público de saúde.
A galeria homenageia líderes que contribuíram para a construção e a consolidação da escola ao longo dos anos, entre eles, Mário Roberto da Silveira, Júlio Baldisserotto, Lisiane Boer Possa, Quelen Tanize Alves da Silva, Bruna Donida Vancin, Edenilson Bomfim da Silva e Abrahão Assein Arús Neto.
Durante a cerimônia, Alcindo Ferla falou do papel da Escola GHC como espaço de articulação entre formação e serviço. “A escola nasce do cotidiano do cuidado e do trabalho em saúde. É nesse espaço que os saberes se encontram, se transformam e contribuem para qualificar o SUS a partir das necessidades reais da população”, afirmou.
A atual diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva — que integra a galeria por ter estado à frente da Escola GHC em período anterior —, lembrou a importância da memória institucional e da formação comprometida com o SUS.
Ela ressaltou que fortalecer a qualificação dos trabalhadores é essencial para sustentar e avançar na construção de um sistema público de saúde mais democrático, resolutivo e conectado com as necessidades da população.
Créditos: Daiane Balardin (texto). Chico Lisboa (fotos).