A promoção de sistemas alimentares sustentáveis como parte da saúde pública, do cuidado ambiental e da responsabilidade institucional esteve no centro do 3º Encontro Saúde e Meio Ambiente – Caminhos para um Futuro Sustentável, realizado nesta quarta-feira (3), no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC). O evento, também alusivo ao Dia Mundial do Meio Ambiente - 5 de junho -, reuniu trabalhadores, gestores, especialistas e representantes de experiências comunitárias para debater os efeitos da cadeia de produção de alimentos, as compras institucionais, a agricultura familiar, as hortas comunitárias e os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Nas edições anteriores, o evento já abordou temas como emergências climáticas, soluções arquitetônicas de baixo impacto ambiental e gestão de resíduos.
Segundo o especialista em Gestão Ambiental do GHC, Gabriel Lutchemeyer, o objetivo do encontro é trazer para dentro do hospital debates que impactam diretamente a saúde pública. “Este é o terceiro ano em que a nossa equipe organiza este encontro. Trazemos este momento para colocar em pauta temáticas importantes dentro da sustentabilidade, ligadas às instituições de saúde. Hoje, discutimos a cadeia de produção de alimentos, não apenas a comida que chega ao paciente, mas também os impactos ambientais da produção e da distribuição, as condições e a remuneração dos trabalhadores e o uso dos recursos naturais”, destacou.
Compromisso institucional
O diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, destacou a atualidade do tema e a necessidade de adaptação das instituições públicas de saúde diante dos novos cenários climáticos. "É um tema extremamente atual e que evolui em uma velocidade difícil de acompanhar. A agenda ambiental impõe desafios cada vez maiores, e o GHC não está imune a eles. Precisamos nos adaptar e realizar ações que contribuam para integrar saúde e clima nas políticas institucionais”, afirmou.
Para o diretor administrativo e financeiro do GHC, João Motta, a discussão precisa estar associada às escolhas institucionais feitas no dia a dia, especialmente em uma estrutura pública de saúde do porte do Grupo Hospitalar Conceição. “Quando falamos em sistemas alimentares responsáveis, estamos falando também da construção de um modelo que contemple a pauta como um todo. O GHC tem buscado avançar nessa direção, e hoje 46% do nosso investimento alimentício é destinado a cooperativas. Isso mostra uma contribuição bastante relevante da instituição para o fortalecimento de cadeias produtivas mais sustentáveis e socialmente responsáveis”, destacou.
O gerente de Engenharia e Manutenção do GHC, Elifas Simas, ressaltou que o debate ganha ainda mais relevância diante dos desafios ambientais que afetam a saúde da população. “Este é um momento fundamental para conversarmos sobre esse tema. Seria uma contradição uma instituição como a nossa não trabalhar a sustentabilidade, porque ela afeta diretamente a saúde das pessoas. Isso passa pela energia limpa, pela gestão de resíduos e pela alimentação saudável. O GHC tem um papel importante nessa agenda e precisa seguir contribuindo para práticas mais sustentáveis”, afirmou.
Experiências do GHC e da comunidade
Ao longo do dia, o encontro reuniu especialistas, trabalhadores do Grupo Hospitalar Conceição e representantes de iniciativas comunitárias para discutir diferentes dimensões da alimentação sustentável. Entre os temas abordados estiveram:
Ações e Desafios da Produção de Alimentos de Base Agroecológica em Larga Escala
- Huli Marcos Zang, presidente da Associação da Feira Ecológica do Bom Fim (Afebom)
O Papel das Dietas Saudáveis para Moldar Sistemas Alimentares Sustentáveis e o Potencial das Compras Públicas na Agricultura Familiar
- Sérgio Schneider, professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
A Experiência do GHC na Construção de um Sistema Alimentar Saudável e Sustentável
- Marília Unello Garcez, coordenadora do Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital Nossa Senhora da Conceição
O Cooperativismo como Ferramenta de Transformação no Campo: A Experiência da Coomafitt
- Michel Oliveira, vice-presidente da Cooperativa Mista de Agricultores Familiares de Itati, Terra de Areia e Três Forquilhas (Coomafitt)
Experiências da Horta Sustentável Tempo de Renascer
- Ana Lúcia Poletto, assistente social da Unidade Nossa Senhora Aparecida, e Maria Noeli Reis dos Santos, agente da horta comunitária
Experiências da Horta Comunitária Agroflorestal Cantinho Verde – Coinma
- Agda Henk, assistente social do Ambulatório de Identidade de Gênero
O encontro também teve caráter solidário, com arrecadação de roupas e itens de higiene para doação, e incentivou os participantes a levarem suas próprias canecas, reforçando a proposta de reduzir o uso de descartáveis durante a atividade.
Créditos: Gabriel Amaral (texto). Chico Lisboa (fotos).