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07.05.2013

Nota Técnica sobre germes Carbapeném Resistentes no Hospital Conceição

Em qualquer grande hospital do mundo, a resistência bacteriana é um problema. Hoje, os complexos mecanismos de resistência desses germes são uma preocupação global, e surtos são presenciados em todos os continentes. A complexidade e a gravidade dos pacientes são preponderantes para que se crie o cená́rio propício para a seleção de germes multirresistentes. Essa problemática tem sido enfrentada no hospital de diferentes formas pelo serviço de controle de infecção hospitalar nos últimos anos. Passa pelo reforço nas orientações quanto à higienização de mãos e à higienização adequada do ambiente, pela adesão às medidas de bloqueio epidemiológico e pelo controle de antimicrobianos prescritos.

A Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) e New Delhi metallo-B-lactamase-1 (NDM-1) não são um agente bacteriano e sim mais um mecanismo de resistência, que pode estar presente em diferentes tipos de bactérias Gram-negativas como Klebisella pneumoniae, Escherichia coli, Serratia marcescens, Proteus mirabilis, entre outras. O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) realiza procura ativa e sistemática desses mecanismos de resistência bacteriano desde o ano de 2009, com o objetivo de detectar precocemente os mesmos e conter possíveis surtos.

Com a detecção do mecanismo New Delhi metallo-B-lactamase-1 (NDM-1), o GHC iniciou uma pesquisa epidemiológica em conjunto com a Anvisa, a Secretaria Estadual da Saúde e a Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre para rastreamento dos casos e procura de possíveis vínculos epidemiológicos. Esse processo encontra-se em andamento e representa o compromisso da instituição com a qualidade do serviço prestado. Até o momento, a grande maioria dos pacientes com KPC e NDM-1 está colonizada, ou seja, os pacientes são portadores de germes com esses mecanismos de resistência sem a expressão clínica da doença (não representam infecção). Inclusive, no mês de março de 2013, a colonização desses pacientes diminuiu em um terço.

Referente ainda sobre as infecções por bactérias produtoras de KPC: em 2011, ocorreram oito casos, em 2012 foram 34, e em 2013 apenas sete. Até o momento, ocorreu apenas uma infecção por NDM-1, e o paciente teve alta hospitalar. Hoje temos internado apenas um paciente com infecção confirmada por KPC e nenhum pelo NDM-1. A mortalidade no Hospital Nossa Senhora Conceição em 2013 é a menor dos últimos dez anos.

O GHC continuará com as medidas e estratégias de boas práticas em controle de infecção, assim como a parceria com a Anvisa para investigação e contenção de bactérias carbapeném resistentes.

Dr. Renato Cassol
Médico Infectologista
Coordenador CIH-HNSC